Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"Meia-noite em BH": O que fazer e com quem encontrar na Belo Horizonte de 1944?

Meia-noite em BH
“Inspirados no filme de Woody Allen que vem encantando o mundo, mineiros fazem viagem pela Belo Horizonte de antigamente ao lado de Pedro Nava, Drummond e Guignard, entre outros ícones

Que tal esbarrar com Carlos Drummond de Andrade no Bar do Ponto? Ou, quem sabe, degustar a melhor empadinha do mundo na companhia de Pedro Nava, no saudoso Trianon? Vale também passear pelas ruas de Belo Horizonte ao lado do mestre Guignard e encerrar a noite com um belo vinho.

Irrecusáveis convites, sem dúvida. Mas como isso seria possível? Só se tais acontecimentos fizessem parte de roteiro do cineasta Woody Allen, responsável por um dos filmes mais festejados dos últimos tempos: Meia-noite em Paris. A comédia retrata a história de Gil Pender (Owen Wilson), roteirista que pretende se dedicar à literatura e deixar os blockbusters de lado. Curtindo crise existencial, ele flana por uma Paris mágica: quando soam as badaladas da meia-noite, elegante calhambeque o apanha para visitar o passado. Esse jovem do século 21 se encontra com ícones do anos 1920, como os escritores Ernest Hemingway, Gertrude Stein e F. Scott Fitzgerald, o compositor Cole Porter e os artistas plásticos Pablo Picasso e Salvador Dalí.” (Jornal Estado de Minas, caderno “EM Cultura”, 23/07/2011)

Trailer "Meia-Noite em Paris" (Legendado)


Woody Allen e elenco falam sobre passado e presente em "Meia-noite em Paris".


O que fazer e com quem encontrar na Belo Horizonte dos anos de 1940? A cidade ainda era muito jovem, estava ainda por fazer seus 50 anos de fundação, porém, já tinha uma aparência bem distinta dos primeiros anos de vida. Mas ainda me pergunto o que fazer? Essa pergunta é meio louca, uma vez que não podemos voltar no tempo. Porém, decidi entrar na brincadeira proposta pelo Caderno “EM Cultura” do Jornal Estado de Minas do Sábado, 23 de Julho de 2011, de me projetar na mágica Belo Horizonte da primeira metade do século XX.

O período escolhido para minha aventura foi a década de 1940, primavera de setembro de 1944, não escolhi por acaso, na época, “encenava-se” os “atos” finas da II Guerra Mundial que assolava os países europeus, mas mesmo a guerra estando longe, ela também mexia com o cotidiano da cidade no ano, como a movimentação patriótica dos cidadãos, que incentivavam os pracinhas enviados para lutar nos campos de batalha italianos, contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Fora os acontecimentos internacionais, Belo Horizonte era uma cidade muito calma, que começava a deixar seus ares de cidade tranqüila pra se tornar uma das principais metrópoles brasileiras. O ar respirado era apaziguador, na primeira metade do século XX, muitos vinham para BH para se curar de tuberculose, até Noel Rosa já esteve por aqui para cuidar de sua saúde. Era também uma cidade romântica e verde, com destaque para a arborizada avenida Afonso Pena e o Parque Municipal. Época em que os casais de namorados viviam a rotina do tradicional “namoro de portão”, tão esquecido nos dias de hoje! Tenho saudade do tempo que não vivi!

Bem, começamos nossa viagem! Se pudesse, não só escolheria um dia para o mágico passeio, mas escolheria uma semana, uma semana qualquer do mês de setembro de 1944. Para começar, não iria sozinho, iria com alguém muito especial para mim hoje.

Para começar, me imagino na Praça da Estação me dirigindo à um guichê para comprar uma passagem de trem para o interior. À principio, não quero passar a semana toda em Belo Horizonte, dos sete dias da semana, queria passar seis com meu herói, o Dinvô, meu avô materno, na época em sua juventude, na casa dos 20 anos. Iria para Nova Serrana, compraria a passagem para a estação de Conceição do Pará, e de lá, me viraria até chegar no destino. Queria conhecê-lo em sua mocidade, e viver uma de suas aventuras que ele tanto gostava de nos contar e vivenciar a difícil lida da roça.


O último dia seria mais intenso, voltaria no sábado à noite para Belo Horizonte, e iniciaria o domingo acordando bem cedo, vestiria o terno habitual da moda da época e empunharia um chapéu de feltro. Assim, desceria para assistir uma missa em latim na Catedral da Boa Viagem acompanhado da pessoa especial e do jovem prefeito Juscelino Kubitscheck, apelidado de “prefeito-furacão”, pela quantidade de obras concluídas no prazo de 5 anos (1940-1945). Após a missa, ainda acompanhado por JK, pegaria o bonde na av. Afonso Pena e desceria para o “Café Nice” (existente até hoje) na Praça Sete, para tomar o tradicional café moído na hora e coado no coador de pano (ainda é assim até hoje), um pão de queijo, e quem sabe um omelete de frango com palmito!


Depois, por volta das 9hs, subiria para a Praça da Liberdade para o “encontro marcado” com o quarteto de escritores conhecidos como “os quatro cavaleiros do apocalipse”: Fernando Sabino (com 21 anos, redator do jornal A Folha de Minas, em 1941, já havia publicado seu primeiro livro de contos), Helio Pellegrino (com 20 anos, em 1940, já havia publicado seu primeiro conto no jornal O Diário), Otto Lara Rezende (com 22 anos, escritor, e já era jornalista do jornal O Diário), e Paulo Mendes Campos (com 22 anos, no momento escritor). Como eram escritores e jornalista, gostaria prosear sobre literatura e o momento político no Brasil e no mundo da época, e as ânsias para o futuro.

Por volta das 11hs, desceria para o Parque Municipal, para desfrutar o momento com um passeio de barco no lago. Não seria necessário nenhum dos filhos ilustres de BH, somente uma pessoa interessante com quem conversar.

Ao meio-dia, almoçaria em um restaurante tradicional da época da região central. Lá gostaria de encontrar com Pedro Nava (com 41 anos, escritor, participou da geração modernista de BH) e com o recém instalado pintor carioca Alberto Guignard (com 48 anos). Durante o almoço, conversaríamos sobre o movimento modernista, o mundo das artes e as visões de Guignard sobre as paisagens mineiras e as cidades históricas de Minas Gerais. Após o almoço, gostaria de visitar Ouro Preto de trem com Guignard, e lá presenciar a pintura de uma obra sua, e aprender um pouco de suas técnicas.

As 17hs, gostaria de já estar em BH, subir a avenida Afonso Pena, onde hoje é a Praça do Papa, para contemplar o final da tarde e a paisagem da jovem capital mineira com os poucos arranha-céus. Depois, pegar uma sessão de cinema no Cine Brasil na Praça 7.

Por volta das 20hs, gostaria de me dirigir ao Bar do Ponto (onde hoje é o Othon Palace Hotel, nas esquinas da Rua da Bahia com avenida Afonso Pena) e tomar uma cervejinha junto com a turma de Sabino, com Pedro Nava, com o quarentão Carlos Drummond, e com Rômulo Paes (com 26 anos, cantor e compositor, famoso em BH pela frase “minha vida é esta, subir Bahia e descer Floresta” encravada na praça do quarteirão fechado da avenida Álvares Cabral com rua da Bahia). E fechar a noite com uma conversa bem distraída, “causos” e samba.

Espero que tenham gostado do texto.

Quer ver mais imagens de BH em 1940? Te sugiro o post a seguir:

História & Fotografia: Belo Horizonte, décadas de 1930 e 1940


Para ler a reportagem completa publicada no jornal Estado de Minas de 23/07/2011, acesse o link:

sábado, 19 de março de 2011

Os desenhos animados vão à II Guerra Mundial!

Nos anos 30, o desenho animado era coisa séria e estava longe de cair no gosto da meninada. Durante a guerra, esbanjava apelo popular e passava entre trailers e documentários e a atração principal. E, seguindo a tendência da época, celebridades como Pernalonga, Patolino, Mickey e Pato Donald também foram à guerra. Os pioneiros: duas séries da Warner – Looney Tunes e Merry Melodies –, que nos anos 40 produziu as mais radicais peças de propaganda em Hollywood, muitas de cunho explicitamente racistas. A mais famosa é Bugs Bunny Nips the Nips (1944), na qual o coelhinho aparece numa ilha do Pacífico e apronta misérias com um japonês ridiculamente estereotipado. Em Herr Meets Hare (1945, Pernalonga vai à floresta Negra azucrinar a vida de Hermann Goring. E o clássico Ducktators (1941) reúne no mesmo desenho Hitler, Stálin, Mussolini e Hiroito.

A Disney não ficou atrás, Em 1943, ela lançou Der Fuehrer’s Face, com Pato Donald no papel de um operário alemão que se confunde ao alternar os movimentos de apertar parafusos e a saudação a Hitler. Walt Disney foi um dos mais ativos executivos da propaganda hollywoodiana. Mickey promovia de tudo, de campanhas de doação de sangue a trabalhos voluntários. Junto com Donald, era o preferido para estampar a fuselagem dos aviões de caça. De quebra, Disney era constantemente convocado para ser embaixador dos Estados Unidos na vizinhança. Foi assim que ele veio parar na América Latina, em uma turnê no início dos anos 40. Como gesto de boa vontade, o mago dos desenhos criou o mexicano Panchito, o argentino Gauchito Voador e o brasileiríssimo Zé Carioca.


Texto extraído:

DIAS, Cristiano. Hollywood vai à guerra. Coleção Grandes Guerras: Segunda Guerra Mundial, do Dia D até a Vitória, São Paulo, ed. Abril, 6ª ed., mai. 2005. p. 66.


Alguns desenhos animados produzidos no período beligerante, pena que encontrei somente o desenho do Pato Donald legendado, mas no entanto, os outros também dão à entender a mensagem que querem passar.

O mais interessante é o último vídeo, que mostra o lado japonês da guerra, só que em 1936, três anos antes do início da guerra, o que nos demonstra que a guerra seria inevitável pelo cenário. Nesse vídeo, Mickey invade uma ilha japonesa.

Pato Donald vai à Guerra!

Popey vai à Guerra!

Pernalonga vai à Guerra!

Os Três Porquinhos vão à Guerra!

Desenho animado japonês prevê invasão note-americana!

No youtube há outros vídeos, divirta-se e informe-se!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Resenha amadora: "Senna, O Filme"

Ei! Se você quiser ver uma crítica profissional, aqui não é seu lugar, visita aqui oh:

http://omelete.com.br/cinema/critica-senna/


“Senna, O Filme”, na realidade é um documentário com cenas gravadas a partir dos arquivos da formula 1, do arquivo pessoal da família Senna e de outros arquivos das emissoras pelo mundo inteiro, dos quais muitas cenas eram inéditas. O filme foi idealizado pela produtora britânica Working Title em 2010, tendo sua estréia primeiro no Japão em outubro de 2010 para depois aterrissar em terras tupiniquins em 8 de novembro de 2010. Este reforça e muito a imagem de um mito, Ayrton Senna. A narração varia entre inglês e português, o principal idioma como se espera de um filme produzido na Inglaterra é o inglês, porém há muitas imagens cedidas pela Rede Globo, como narrações das corridas de Galvão Bueno e Reginaldo Leme, além de entrevistas feitas por emissoras do mundo inteiro em inglês e outras produzidas pela Rede Globo. A única crítica que tenho à fazer do filme foi a péssima legenda branca, que muitas vezes me impossibilitava de entender o que estava acontecendo. A imagem também não é muito boa, já que foi produzido a partir de arquivos anteriores ao ano de 1994, o que não tira a autenticidade da produção, qualidade e o brilhantismo do filme/documentário.

O filme é cheio de depoimentos, principalmente de sua mãe, irmã e de Ron Dennis, diretor-chefe da equipe McLaren de F1, dentre outros companheiros e admiradores de Senna.

Assisti este documentário no feriado de Proclamação da República, dia 15/11/2010 juntamente com meu irmão mais velho que é aficionado por F1. Entrei muito esperançoso para assistir à um grande filme e saí maravilhado, com expectativas excedidas.

Quando Ayrton Senna morreu, tinha apenas 8 anos de idade, mas sua história marcou profundamente minha infância, sempre acompanhava com meu pai as corridas de todo domingo. Não me lembro quando começou essa paixão, mas ela persiste até hoje, porém sem o brilhantismo do começo.

O filme mexeu com meus sentimentos, nele há de tudo, emoções várias, que vão do riso, alegria ao ódio, principalmente quando da perda do título de 1988 de Ayrton Senna, uma baita de covardia arquitetada por Alain Prost que acabou conquistando o campeonato de 1988, mesmo fora de pista no GP de Suzuka, Japão. Demonstra o valor de um herói, garra determinação, um exemplo a ser seguido em um período que a política pouco importava na Formula 1. O valor humano era ressaltado, a vida valia mais do que um título. Foi emocionante ver Senna se preocupando com um colega de oficio que sofrera um acidente à sua frente, Senna teve a sensibilidade de abandonar a prova para socorrê-lo. Triste foi ver o fim de Senna no dia 1º de maio de 1994, uma triste fatalidade para o esporte mundial. Triste também recordar que ele poderia ter voltado para o Padock andando, pois o forte impacto não seria fatal se a peça da suspensão não tivesse acertado sua cabeça.

O filme também me fez recordar de vários detalhes dos quais não me lembrava, por exemplo, aquele último final de semana de Senna, foi um período trágico e esquisito, pois além da morte de Senna no domingo no GP de San Marino, também houve a morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger da escuderia da MTV Simtek, no treino classificatório de sábado, além do forte acidente com o iniciante Rubens Barrichello da Jourdan na sexta-feira.

Além de trazer lembranças ocultas da F1, ao sair do cinema também comecei a recordar de várias lembranças pessoais juntamente com meu irmão. Dentre elas, que eu adorava vermelho (e ainda gosto, mas não como na infância), motivo pela qual gostava muito da escuderia Ferrari (ou vice-versa, não sei!), lembro também que meu irmão e eu nos dias de corrida fingíamos jogar vídeo-game, na esperança de comover meu pai para nos comprar um. Lembro que no dia do acidente, brincávamos de vídeo-game, Bruno, meu irmão fingia guiar Senna na época correndo pela Williams, e eu fingia guiar M. Schumacher que corria pela extinta Benetton. Também lembro que este 1º de maio de 1994 foi o último dia em que vi meu avô paterno vivo (que morreria um mês depois), acabamos de assistir a corrida, almoçamos e fomos visitar meu avô, e foi lá que recebemos a notícia do falecimento de Senna. Fatalidade que deixou de luto o país inteiro, e que tirou o brilho e o gosto pela Formula 1, ainda que, persistiamos em assistir. Hoje esse brilho é opaco e sem gosto, por não termos mais um piloto para nos dar a devida alegria.

Veja o trailler:


Em fim, um bom filme para aqueles que adoram formula 1, e principalmente para quem vivenciou o início, o meio e o fim de sua trajetória brilhante, ou pelo menos o fim, como no meu caso.

Fernando Ribeiro.

Você também pode gostar de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...