A jovem capital modernista se desenvolvia rapidamente, a maior prova são as fotografias, que registraram passivamente ou intencionalmente a evolução da primeira cidade planejada do Brasil (1897), construída quase que simultaneamente à sua cidade irmã latino-americana, La Plata (1885) na Argentina, também construída para abrigar a sede de seu departamento (Estado), já que Buenos Aires abrigava a sede do governo argentino.
É interessante notar o aspecto que Belo Horizonte (Bello Horisonte, na primeira grafia) toma durante a década de seu cinquentenário (1947). Os arranhacéus começam a tomar conta da cidade, e talvez, Araão Reis (arquiteto, principal responsável pelo planejamento de BH) nunca tenha imaginado que BH poderia ter em tão pouco tempo extrapolado os limites originais da cidade, a Avenida do Contorno. Nesta época, Belo Horizonte já começava a tomar seus ares de metrópole e ampliando cada vez mais sua área construída, e o vai-e-vem dos automóveis que começavam a se multiplicar.
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Praça Sete (década de 1940), durante a campanha para a arrecadação de metais para ajudar o Brasil em sua campanha durante a 2ª Guerra Mundial
Em destaque, o Bar do Ponto, tradicional local de encontro de Belo Horizonte, muito frequentado pelas celebridades da cidade, como Carlos Drummond, Fernando Sabino, etc. Fazia parte do circuito da Boemia da Rua da Bahia (década de 1940)
Rua da Bahia com Avenida Afonso Pena, ontem e hoje, o tradicional Bar do Ponto, deu lugar ao Belo Horizonte Othon Palace Hotel.
Avenida Bias Fortes (1940)
Praça 7 de Setembro (1940)
Parque Municipal (1947)
Viaduto Santa Tereza (1947)
Rua da Bahia, esquina com Avenida Afonso Pena, logo abaixo, o Bar do Ponto (1948)
Avenida Amazonas, nº 75, esquina com as ruas Tupinambás e Espirito Santo (1947)
Sessão de cinema no Cine Brasil, década de 1930
Cine Brasil, década de 1930, do lado de fora da portaria
Prédio do Cine Brasil, década de 1930 (Praça 7)
Em 1949, a agencia Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA), empresa norte americana, produziu um video promocional, de apresentação da capital mineira. Realizado não para o público brasileiro, mas para o americano, seu áudio é em inglês, demonstra de maneira positiva e convidativa a cidade. O video abaixo, foram localizadas em uma biblioteca dos EUA e disponibilizados na internet, divididos em duas partes, legendadas.
Da Imagem como representação, à Imagem como meio de consumo
A produção da imagem como registro nos remete ao surgimento da humanidade, quando da produção das pinturas rupestres, que eram verdadeiros registros do dia-a-dia de uma sociedade em estruturação.
Contudo, a produção, reprodução e a utilização da imagem como meio de consumo nos séculos XX e XXI, nos remetem a três etapas anteriores, que possibilitou a reprodução de imagens a partir de uma matriz: a Idade da Madeira, a Idade do Metal e a Idade da Pedra.
A Idade Média, considerada como Idade da Madeira, viu nascer o processo de produção e reprodução de imagens através do papel chamado Xilogravura. Com origem no século XIII, a Xilogravura, foi utilizada em larga escala, inclusive para auxiliar a descrição do Novo Mundo. Na técnica da Xilogravura utilizava-se como matriz a madeira, que funcionava como uma espécie de carimbo, possibilitando a reprodução da imagem.
A partir do século XV, inicia-se a chamada Idade do Metal, com a técnica chamada Água-forte. A Água-forte é uma técnica em que se utiliza como matriz uma placa de ferro, zinco, cobre, alumínio ou latão. Grava-se um desenho na placa com um papel levemente umedecido.
No século XIX, inicia-se a Idade da Pedra. Desenvolve-se a técnica da Litografia. A técnica envolve a criação de uma matriz sobre pedra calcária com um lápis gorduroso. A base da técnica esta na repulsão entre água e óleo. Sendo o desenho fixado através do acumulo de gordura.
A Litografia despontou no campo do consumo da imagem, que surgiu no rastro das demandas e exigências geradas pela Revolução Industrial. O desenho original e o impresso são praticamente idênticos.
Com o fortalecimento da economia capitalista e com uma sociedade analfabeta, aumentou-se a necessidade de uma maior veiculação de informação visual, tanto para propaganda política, quanto visual. A imagem como processo industrial, então passa a ser pautada pelos requisitos: exatidão, rapidez de execução, baixo custo e reprodutividade.
As primeiras experiências fotográficas começaram ainda no final do século XVIII, com o fim de obtenção de superfícies sensíveis à luz para fixação das imagens, com a utilização de sais de prata. “Esses processos, associados à câmara escura, lançam as bases do princípio da fotografia” (FABRIS, 1998, p. 13)
Nesse período, são vários os experimentos espalhados pelo mundo, o mesmo pode-se dizer das técnicas e suportes utilizados. Porém é importante ressaltar que Charles e Davy conseguem fixar temporariamente a imagem, mas são Niepce e Daguerre que solucionam o problema, com a utilização de uma chapa de metal como matriz sensível à luz.
No rastro da fotografia, pode-se ressaltar que o processo surgiu com a crescente demanda imagética. Tais inventores sentiam-se incomodados com a inadequação dos meios de produção de imagens tradicionais. No qual, a constante pesquisa e experiência culmina no método chamado Daguerreotipia.
A Daguerreotipia representou para a época uma representação precisa e fiel da realidade: imagem nítida e detalhada; rapidez (cerca 10 à 20 minutos de exposição); procedimento simples; acessibilidade; ampla difusão. Ocasionou a substituição do processo “místico” da criação manual da imagem por um processo de gestos mecânicos e químicos. Além de substituir o trabalho autoral e minucioso, por um trabalho em que o autor torna-se o
espectador do processo mecânico-químico.
A Daguerreotipia entrou em decadência a partir da década de 1850, com o aperfeiçoamento dos experimentos fotográficos, com o surgimento de um novo suporte, a fotografia sobre papel, e o surgimento do processo de negativos, que acelerava a reprodução das imagens, e que atendiam as exigências do capitalismo na difusão das imagens de consumo.
Legendas imagens:
1 - Reprodução Xilogravura (Idade da Madeira séc. XIII)
2 - Reprodução Água-forte (Idade do Metal séc. XVI)
3 - Reprodução Litogravura (Idade da Pedra séc. XIX)
4 - A primeira fotografia com a técnica do daguerreótipo, na qual retrata o ser humano.
A História da fotografia
Texto elaborado para apresentação em sala de aula da disciplina História das Ciências e das Técnicas, Curso de História, Centro Univeristário de Belo Horizonte – UNI-BH.
Produção:
Fernando Ribeiro e Flávia Schettino
Referência Bibliográfica:
FABRIS, Annateresa,.Fotografia:usos e funções no século XIX .2. ed. São Paulo: EDUSP, 1998. 298 p.